quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Formação em Meteorologia de Inverno - Vítor Baía

Nós aqui pela Guarda temos algumas coisas especiais!

Uma dessas coisas são as previsões meteorológicas. Enquanto o resto do país, de um modo geral, tem que confiar nas previsões meteorológicas do agora chamado "Instituto Português do Mar e da Atmosfera", nós aqui temos direito a previsões muito melhores e quem têm em conta as diferentes particularidades de cada região.

São feitas por um senhor chamado Vítor Baía, que nos últimos meses já tem sido noticia em vários meios de comunicação social nacional.


O Vítor Baía é há muitos anos instrutor e praticante de parapente. É uma actividade que está muito dependente das condições meteorológicas completas, não bastando saber a temperatura e se chove ou não. Tinha muitas vezes de fazer vários quilómetros e perder dias, só sabendo na hora se podia voar ou não, por insuficiência de qualidade das previsões existentes. Começou assim a estudar o assunto por conta própria e a fazer as suas próprias previsões.

Foi evoluindo a aprendendo com os erros. Mais tarde começou a trabalhar com vários alpinistas, como o famoso João Garcia, fornecendo-lhes a partir da Guarda as previsões meteorológicas nos cumes que escalavam do outro lado do mundo, ajudando-os a escolher a data mais indicada.

Agora aqui na Guarda é nas previsões dele que confiamos, especialmente no Inverno, onde é essencial até por razões de segurança saber se vai nevar. Todos os dias milhares de pessoas consultam o site do Clube Vertical onde são publicadas as previsões diárias para a região da Serra da Estrela. E a página do Facebook, criada há poucos meses, já tem mais de 10.000 seguidores.

Por aqui no Instituto Português do Mar e da Atmosfera já ninguém confia. Não sei se por cortes no financiamento ou simplesmente por desleixo, já nem as Observações de Superfície estão disponíveis para nenhuma das estações do distrito da Guarda.


Quem quiser saber mais alguma coisa sobre previsões meteorológicas, tem agora uma oportunidade de ouro. No próximo dia 22 de Fevereiro, o Vítor Baía vai dar uma formação sobre Meteorologia de Inverno, no Instituto Politécnico da Guarda, a partir das 15:00. E ao contrário do normal neste tipo de formações técnicas, esta é quase gratuita, só 10 €, incluindo um lanche com castanhas e jeropiga! Quem se quiser inscrever veja aqui como.

Para quem não é de cá, é um óptimo pretexto para vir passar um fim-de-semana à Guarda e à zona da Serra da Estrela!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Reportagem na RTP sobre a Serra da Estrela

É difícil ver um programa na televisão, quando é transmitido logo a seguir ao sermão do engenheiro filósofo. É que nem sem som se aguenta....

Por isso, para quem como eu não viu, aqui fica o link para uma excelente reportagem sobre a Serra da Estrela.

Reportagem: Estrela Nevada de 09 Fev 2014 - RTP Play - RTP


Em 30 minutos, muitos assuntos são abordados. Os automobilistas que gostam de arriscar a vida deles e de quem os salva, o pouco interesse que a Torre tem comparando o resto da Serra, as novas empresas de turismo na natureza, o queijo e a vida difícil de quem vive da terra, o "negócio" da Turistrela, a neve que é mais problema que outra coisa, os novos hotéis de charme, o Burel e o imponente Cão da Serra.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

No Sabor nascem vias-rápidas e a posta ficou por Sabor(ear)

Aqui bem perto do Distrito da Guarda está a nascer mais uma grande barragem, junto à foz do Rio Sabor.

Rio Sabor nasce junto à fronteira entre Portugal e Espanha, na Serra de Montesinho/Gamoeda, e desagua junto a Torre de Moncorvo e Pocinho, no rio Douro, na povoação de Foz do Sabor.

Se é necessária ou se vai servir apenas para encher mais os bolsos de ex-governantes e de capitalistas chineses...é discussão do passado, pois está pronta e a começar a encher, ajudada pelas abundantes chuvas deste Inverno.

Tornou-se por isso urgente visitar o local, já agredido pelo paredão da barragem, mas ainda quase sem água armazenada.

Aproveitando um fim-de-semana sem outros programas, desafiei alguns companheiros do pedal para ir conhecer o vale do Sabor, num percurso por estrada.. O estado do tempo quase fez anular a visita, mas à ultima hora as previsões apontavam 12 horas sem chuva, precisamente no dia previamente marcado.

O percurso, a percorrer no sentido horário.
Arrancámos da Guarda, ainda o dia a nascer, com muito frio e alguma chuva. Começamos as pedaladas precisamente na aldeia de Foz do Sabor, com a água do Sabor quase a tocar no tabuleiro da ponte que lhe dá acesso. O tempo estava muito nublado, mas não parecia ameaçar chuva.

A partida na aldeia de Foz do Sabor
Muitas tangerinas para apanhar. Este é um vale muito fértil!
Local onde o Sabor se junta ao Douro. O Sabor vem da esquerda e o Douro corre lá do fundo, após passar a Barragem do Pocinho.
O primeiros 5 km eram planos, paralelos ao Sabor, até se atravessar a Ribeira da Vilariça e a N102. O ideal para aquecer os músculos e apreciar a paisagem plana, coisa rara por estes lados!

A paisagem junto à Foz do Sabor, zona muito fértil, com calor e água com fartura.
Um Coelho a fugir!
Lá vai ele!
Depois era preciso vencer a primeira grande subida do dia, quase até à aldeia de Estevais. Durante a subida podemos ver já os efeitos da subida das águas provocada pelo 2.º escalão da barragem, que fica mesmo junto à Foz. A ponte antiga da N102 já estava praticamente submersa.

A nova ponte da N102. Ainda é possível ver vestígios da antiga.
Apontando mais para a esquerda, lá vai o Sabor já transformado em Albufeira.

A vista após muitas curvas e contracurvas da sinuosa e bela M611

Num miradouro, com vista para o vale da Ribeira da Vilariça.
Já por terrenos mais planos, foi possível aumentar a média e passar por Estevais, Cardanha e Gouveia. Aqui havia a opção de virar à esquerda e seguir já para Alfandega da Fé ou virar à direita para ver as vistas sobre o Sabor. Apesar do mau piso da estrada, virámos à direita, onde passado pouco tempos encontrámos o escalão principal da barragem, que vai dar origem a uma mega-albufeira com 60 km de extensão.

A paisagem agredida pelas obras da Barragem. Em breve vai ser um lago enorme.
Durante algum tempo pedalamos junto ao vale do Sabor, que de tão fundo poucas vezes deixava ver o rio. Passámos pelas aldeias de Cabreira, Picões, Ferradosa e Sendim da Serra.

Monte, montes e mais montes.
O piso exigia atenção para evitar furos ou avarias piores.


Felizmente o presidente da câmara lembrou-se de nós e arranjou este tapete!
Monte, montes e mais montes. O Sol começa a espreitar lá ao fundo.

Com pouco mais de 40 km chegámos a Alfandega da Fé. A distância ainda era pouca, mas as subidas já faziam estragos. Paragem num café, onde ninguém queria comer, come-se uma barra para não perder mais tempo, mas afinal todos aconchegaram a barriga. E com o que veio a seguir, ninguém se arrependeu.

A saída de Alfandega da Fé seria a descer até à Ribeira de Escaria, pela N215 e depois N315. Até ao nó de ligação do IC5 o piso era bom, mas depois disso estava destruído, possivelmente pela passagem dos camiões que estão a construir uma nova ponte sobre a Ribeira de Escaria, que também vai ser afectada pela barragem. 

Logo na primeira curva com mau piso uma máquina de filmar é triturada. Um dos companheiros trazia uma máquina de filmar presa ao quadro da bicicleta, com a vibração no mau piso o suporte rodou e a máquina foi apanhada pelos raios da roda de trás. Por sorte não se magoou, mas perdemos vários minutos a apanhar os destroços, a procurar o cartão de memória e a endireitar a roda que ficou bem empenada.

Com cuidado fizemos o resto da descida, até encontrar finalmente a Ribeira de Escaria, onde a nova ponte está quase concluída.

A Ribeira de Escaria, com a nova ponte quase concluída. A ponte antiga está escondida lá atrás pelo tabuleiro da nova. A outra ponde lá atrás é do IC5.
A vista por cima da ponte antiga. 
Falei aqui do IC5? Que veio trazer o progresso e desenvolvimento a toda esta região? Ou a isolar ainda mais os seus habitantes?

Mas antes disso, todo o ciclista sabe que depois de atravessar um curso de água é preciso subir. Foi o que nos esperou, numa subida inclinada e onde o mau piso tornava tudo mais difícil. Para piorar as coisas, começou a chover, primeiro pouco, mas no final da subida fomos recebidos por um diluvio acompanhado de ventos fortes, que faziam as gotas da chuva parecer agulhas.

Junto à aldeia de Sardão a N315 iria juntar-se ao IC5 durante alguns quilómetros, na passagem do Rio Sabor. Nos mapas mais antigos essa passagem do Rio Sabor pertencia à N315, mas com a conclusão das obras do IC5 as estradas unificaram-se entre o nó de Sardão e Meirinhos.

O IC5 é uma via reservada a automóveis, onde as bicicletas não podem circular. Mas existem outras situações de IC e IP onde na passagem de pontes é permitida a passagem de veículos não automóveis, por não existirem outras alternativas para esse tipo de veículos ou para peões.

Infelizmente não é o caso do IC5, onde populações de aldeias que estão praticamente à vista umas das outras, estão separadas por 70 quilómetros de distância, caso queiram cumprir a lei e não tenham um automóvel, como acontece com muitos dos habitantes idosos desta região. Quem tem terrenos agrícolas nas 2 margens do rio também não tem como passar um tractor de um lado para o outro.

Logo que chegámos ao IC5 um funcionário da Ascendi avisou-nos que não podíamos aí circular. Perguntámos por alternativas, ele disse que não havia, teríamos que voltar para Alfandega da Fé.

Molhados até aos ossos e com a Ribeira do Escaria pelo meio, voltar para trás não era opção. Logo após a ponte sobre o Rio Sabor havia um acesso para uma aldeia, São Pedro. Dessa aldeia há uma estrada para Meirinhos, onde a N315 já está separada do IC5. Seriam apenas 3 km no IC5, sempre a descer, numa zona onde o limite de velocidade é 60 km/h e onde só passa um carro de minuto a minuto.

Rapidamente fizemos a descida até ao acesso a São Pedro, onde encontrámos até à aldeia um alcatrão novo em folha. Mas afinal a estrada que ligava São Pedro a Meirinhos era um caminho escabroso em terra batida, com muita pedra à mistura. Com as bicicletas de estrada teria de ser feito a pé, seriam cerca de 5 km.

Voltar para o IC5 significa fazer vários quilómetros nessa estrada, por uma grande subida, quer para um lado, quer para o outro. Ir a pé pelo caminho de terra batida iria demorar mais de uma hora. A solução foi pedir boleia a um simpático casal que ia para Meirinhos, onde seria possível apanhar um táxi e ir buscar os carros à Foz do Sabor.

Fiquei com outros 4 companheiros em S. Pedro à espera dos 2 que foram de táxi buscar o carro. Fomos à procura do forno comunitário, onde havia alguma lenha para acender uma lareira e tentar secar as roupas encharcadas.

A lareira a começar a deitar algum calor (e muito fumo).
Após algum desconfiança inicial, provocada pela invasão daqueles seres de bicicleta, capacete e roupas coloridas, os habitantes locais lá meteram conversa connosco. Passado pouco tempo já nos tinham oferecido pão, presunto, vários tipos de chouriço, azeitonas e um jarro de vinho caseiro! Quentes, de barriga cheia e com quem conversar sobre a vida em S. Pedro, a espera pelo resgate foi curta!

Pão, presunto, chouriços, azeitonas e vinho. O povo português  é mesmo hospitaleiro!


Além de conhecer o Sabor ainda selvagem, iríamos aproveitar esta volta para almoçar em Carviçais, freguesia de Torre de Moncorvo, famosa pelo seu festival de rock e pela Posta à Mirandesa servida nos restaurantes locais. A Posta à Mirandesa ficou por Sabor(ear), mas está prometido novo passeio por estes lados, com paragem obrigatória em Carviçais.

Ficámos também a conhecer as gentes simpáticas de S. Pedro, que apesar de terem uma via rápida versão PPP-Socrática à porta de casa, que custou e vai custar ainda muitos milhões, vivem isolados das aldeias vizinhas. Um desenvolvimento feito a pensar nos negócios de milhões, decidido nos escritórios de grandes empresas, mas que esquece os problemas das pessoas que se poderiam resolver com tostões.

Leia aqui outro relato do mesmo passeio: http://bikevassourateam.blogspot.pt/2014/02/giro-no-pedal-reconday-volta-da-posta.html

Nota acrescentada a 12-02-2014:
Sobre a utilização do IC5 por veículos não automóveis (bicicletas, tractores, ciclomotores, peões) na zona sem outras alternativas junto ao Rio Sabor, hoje ligaram-me da Câmara Municipal de Alfandega da Fé. A câmara e as juntas da zona estão a fazer pressão junto das Estradas de Portugal para que o IC5 seja aberto a todos. O problema é que é uma estrada concessionada à ASCENDI e terá de haver uma alteração ao contracto efectuado entre o Estado e essa empresa.
Mas esperam que o problema seja resolvido à mesma.
Mas quem quiser reclamar junto das Estradas de Portugal só irá ajudar, fazendo pressão para que as coisas mudem.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ministério da Educação oferece Limpa-Neves a todas as crianças da Guarda

Aqui na Guarda as crianças andam radiantes! Hoje é o 2.º dia em que não têm aulas e passam o dia a fazer "sku", bonecos de neve e outras brincadeiras na neve!

Iglo na Praça Velha. Foto de Nuno Cruz retirada do Facebook.

Tudo graças a uns 5 ou 10 centímetros de neve, que a Protecção Civil e as centenas de funcionários da Câmara Municipal da Guarda não conseguem limpar em tempo útil.

Mas para os burocratas da 5 de Outubro, no Ministério da Educação, esta felicidade toda das crianças tem de acabar. Como nem com os limpas-neves acabados de estrear a Protecção Civil consegue limpar a neve, o Ministério da Educação pensou num plano alternativo.

A solução é oferecer um limpa-neves a cada criança da Guarda! Assim não precisam de esperar por ninguém e podem ir sozinhas para a escola! Vejam aqui o vídeo do que vai acontecer a partir de amanhã. Carregar no link se não conseguir ver bem o vídeo aqui no blog.



A cidade vai ficar limpa em poucos minutos!!!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Mesmo sem Carnaval, o Galo não se safa!

Dizem para aí que vai deixar de haver Carnaval...o Galo estava todo contente, pensava que se ia safar!!!

Mas está com muito azar. O povo vai sair à rua, mesmo que esteja um temporal de chuva e neve! E o Galo, culpado da crise que vivemos, vai ser julgado, condenado e queimado numa grande fogueira! Vai dar uma canja saborosa, que vai aquecer a nossa alma!

Dia 11 de Fevereiro, todos os caminhos vão dar à Guarda! Quem nunca assistiu a este espectáculo, veja aqui algumas fotos de 2012 e 2011! A não perder!!



domingo, 18 de novembro de 2012

Crescem como Cogumelos

Nesta altura do ano, pelas matas e florestas aqui no interior, há um "manjar dos deuses" que literalmente "cresce como cogumelos"!

O ar puro e a ausência de grandes fontes de poluição são aliados das condições naturais que tornam a Beira Interior um paraíso para os apreciadores de cogumelos silvestres, com um sem número de espécies em quantidades sem fim!

Aproveitando esse recurso natural, as festas e festivais em sua honra são cada vez mais frequentes. 

Hoje foi dia de visitar uma das mais famosas e concorridas, o Miscaros - Festival do Cogumelo, que acontece todos os anos na aldeia de Alcaide, no concelho do Fundão.


O dia começou às 10:00, com um passeio micológico, orientado pelo Eng. Gravito Henriques.


Não foi preciso andar mais de 50 metros para encontrar os primeiros exemplares. Estavam bem camuflados, mas não escaparam aos olhos experimentados do Eng. Gravito Henriques.


 

 O Sol e a temperatura agradável para Novembro ajudaram a atrair centenas de pessoas ao passeio!


O passeio durou cerca de 2 horas e percorremos pouco mais 2 km, mas foi fácil encontrar uma grande quantidade de cogumelos, de várias espécies, tamanhos e feitios.


A animação foi uma constante em Alcaide. Aqui o "homem dos 7 instrumentos!"


A aldeia estava toda decorada com cogumelos e as garagens e arrecadações das casas foram transformadas em lojas ou tasquinhas.


 Depois do passeio foi servido um excelente arroz de cogumelos, confeccionado pelos alunos da Escola de Hotelaria e Turismo do Fundão, com o patrocínio de uma cadeia de hipermercados. Delicioso!


Depois de almoço o chef João Hipólito confeccionou um Bucho de cogumelos, com produtos da NaturaFunchi, uma empresa do Sabugal que comercializa cogumelos silvestre frescos, secos e congelados.


A tarde continuou com a análise dos cogumelos recolhidos durante a manhã. Aqui um exemplar de Boletus, um cogumelo "topo de gama", que pode ser vendido a mais de 30 € cada um.


Uma pequena amostra dos cogumelos recolhidos durante a manhã, etiquetados com o nome e se são comestíveis ou venenosos. O dia ainda continuou com uma palestra sobre "O frade comestível e o falso frade venenoso" e a apresentação da "Cogus Box".
Para os apreciadores de cogumelos que a esta hora já estão a babar o teclado do computador (ou o ecrã da tablete), vêm agora as boas notícias. Para a semana as festas micológicas vão continuar!


No Sábado, dia 24,  perto da Covilhã, em Vales do Rio, o passeio micológico "À cata do miscaro".



Domingo, dia 25, no Feital (Trancoso), a actividade "Descoberta da Micologia Autóctone". A inscrição tem o valor de 15 €, incluindo o almoço que tem a seguinte ementa:

Entradas: Empadas de cogumelos; paté de cogumelos; quiche de cogumelos; saladas autóctones; enchido tradicional.
Sopa: Creme aveludado de castanhas.
Prato principal: Feijoada de cogumelos. acompanhada com arroz de buletos.
Sobremesa: Surpresa.
Bebidas: Infusão de Mentha Piperita.


Se gosta de cogumelos, que melhor pretexto é preciso para vir passar o fim-de-semana à Beira Interior?

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Hotel Turismo da Guarda vendido a cadeia Grega de bordeis

Noticia publicada no jornal fictício "Novas Terras do Interior"

O Hotel Turismo da Guarda vai ser vendido durante a próxima semana a uma cadeia Grega de bordéis, de acordo com informações recebidas no nosso jornal pelo Instituto do Turismo de Portugal.

 Foto adaptada a partir deste blog:
http://retratosdeportugal.blogspot.pt/2011/09/guarda-hotel-turismo.html

O governo da Republica Portuguesa, mais concretamente o Ministério da Economia e do Emprego, continua a surpreender com a sua eficácia e rapidez a resolver os problemas da região interior de Portugal.

O Hotel Turismo da Guarda foi colocado no mercado no início do mês de Outubro. Durante esse mês foi noticia em vários meios de comunicação social o insólito de uma equipa de futebol grega ser patrocinada por uma cadeia de bordéis, o Villa Erótica.

Rapidamente o ministro da Economia e do Emprego viu aí a solução para o Hotel Turismo da Guarda. Deu ordens para cancelar toda a sua agenda e deslocou-se pessoalmente à Grécia, onde se reuniu com os accionistas da referida cadeia. Pode comprovar a qualidade e profissionalismo da empresa e em menos de 48 horas um pré-acordo de venda do Hotel Turismo da Guarda foi assinado.

Os representantes da Villa Erótica já visitaram as instalações do Hotel Turismo da Guarda e o contracto de compra e venda irá ser assinado no próximo Domingo, depois da missa.

As obras irão começar de imediato, esperando-se que estejam prontas a tempo da festa da passagem de ano, uma época alta na Serra da Estrela.

A fachada irá ser pintada de cor-de-rosa e no rés-do-chão irão abrir algumas lojas, como uma sex-shop, uma loja de lingerie, uma loja de vinhos especializa em espumantes e um restaurante de comida picante que funcionará 24 horas por dia.

Uma das inovações desta Villa Erótica é que, pela primeira vez, vai ter um piso dedicado aos clientes do sexo feminino. Estudo demográficos indicaram que a zona da Guarda tem uma população muito envelhecida, onde predominam as viúvas, que representam 80% da população acima dos 75 anos, A maioria delas com chorudas reformas conquistadas por anos de trabalho árduo em países do centro da Europa.

Segundo declarações da futura directora do Villa Erótica da Guarda, Créusa Sócrates, "vamos apostar nas viúvas, que perante a sociedade são muito recatadas mas na intimidade estão sempre prontas para a malandrice!"


O "Novas Terras do Interior" entrevistou vários comerciantes da zona envolvente, que se mostraram muito agradados com esta nova vida do Hotel Turismo da Guarda. O gerente da loja "Tudo para o Lar" espera subir a vendas de facas: "Vão aparecer por aqui muitas esposas ciumentas, que irão querer matar o marido se o apanharem a sair do bordel". Já o gerente da loja "Calças e Camisas" espera que as funcionárias do hotel cortem à tesoura a roupa dos clientes, que terão de comprar peças novas antes de regressarem ao lar.

A Câmara Municipal da Guarda também vai ser chamada a ajudar no negócio. Vai criar um túnel que ligará directamente as instalações da CMG ao Hotel Turismo da Guarda. Dessa forma é possível entrar de manhã na CMG para tratar de papelada e discretamente ter algo para fazer enquanto se espera a vez de ser atendido.

Como contrapartida deste negócio, o Ministro da Economia e do Emprego assinou um contracto com a empresa Egimorcelas, que irá abrir uma fábrica de enchidos nos arredores de Atenas.

A redacção do "Novas Terras do Interior" aguarda com grande expectativa a reabertura do Hotel Turismo da Guarda e promete fazer reportagens detalhadas sobre os serviços oferecidos.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Madrid - Lisboa em BTT atravessa Distrito da Guarda

O Distrito da Guarda tem sido palco das maiores aventuras em bicicleta todo-o-terreno (BTT) que se realizam no nosso país.

Em Maio foi a Transportugal Garmin Race, com uma caravana de mais de 100 pessoas, entre atletas, acompanhantes e organização.


Em Junho a mesma prova mas em versão turística, a Transportugal Garmin Tour, que percorre trilhos esquecidos sempre bem perto da fronteira com Espanha.


E de Espanha vem a próxima grande aventura, a ligação entre Madrid e Lisboa. A viagem iniciou-se no dia 23 de Junho e no dia 30 (Sábado) vão chegar a Portugal. Nesse dia a etapa termina no Sabugal, no Domingo dia 1 é feita a etapa Sabugal-Manteigas e no dia seguinte Manteigas-Piodão.

Quem andar pela Serra da Estrela no Domingo entre Valhelhas e Manteigas é bem capaz de se cruzar com estes viajantes!


Quem já está cansado com tanta pedalada, ainda vai a tempo de treinar para outra prova, a realizar no inicio de Outubro, da qual ainda não há grandes pormenores. Mas se for tão bem organizada como somos recebidos nos hotéis que a estão a promover, vai ser um sucesso. É a ligação entre o H2otel em Unhais da Serra e o Lusitânia Park na Guarda, com regresso no dia seguinte. São 200 km a cruzar a Serra da Estrela.


O BTT é cada vez mais importante em termos económicos. Felizmente muitas empresas de fora escolhem o distrito da Guarda para fazer as suas provas/passeios e as unidades hoteleiras locais já perceberam que devem promover e apoiar o turismo de aventura!

sábado, 19 de maio de 2012

Pudim de Caramelo da Guarda - Glint

Nesta altura do ano já não há paciência para publicidade às dietas.

São os produtos que queimam gorduras, que alisam a barriga, que transformam as calorias de um queijo da serra em água e o colesterol de uma morcela da Guarda em músculo abdominal! Se os milagres anunciados na TV pagassem imposto, a Troika era corrida antes do final da novela da noite!

Para limpar a cabeça de toda essa propaganda para mentes fracas, nada melhor que os novos pudins de caramelo, feitos aqui na Guarda. São da marca Glint, que pertence à empresa Gelgurte, que também fabrica os melhores iogurtes do mundo. Os gregos não têm hipótese...


Quem já os provou?

domingo, 29 de abril de 2012

Estacionamento público do TMG encerrado por falta de utentes

Aqui na Guarda há um pequeno mas agradável jardim, mesmo no centro da cidade. 

É no Largo Frei Pedro, onde também se situa o Museu da Guarda, a PSP, o extinto Governo Civil, só para dar alguns exemplos.

Esse jardim está limpo e conservado de uma forma que é impossível de reproduzir numa grande cidade, onde estes espaços são rapidamente vandalizados. Tem várias árvores de grande porte e folha caduca, que deixam passar os raios de Sol no Inverno e fazem uma sombra fresca no Verão.

Jardim do Largo Frei Pedro

Na foto seguinte pode-se ver outra perspectiva do Largo Frei Pedro, numa foto tirado junto ao Jardim José de Lemos. À direita vê-se a Igreja da Misericórdia e mais para o lado esquerdo ao fundo está a Torre dos Ferreiros.


Numa outra foto tirado no mesmo local, mas na direcção inversa, é visível em primeiro plano parte do Jardim José de Lemos e a Rua General Humberto Delgado. Lá mais ao fundo fica a entrada para o Teatro Municipal da Guarda.


No edifício do Teatro Municipal da Guarda (TMG) existe um parque de estacionamento público com 175 lugares, com preços que quase não devem dar para pagar a electricidade gasta na sua iluminação! Quem anda de carro em Lisboa está bem sentado? O parque custa 0,60 € por hora, sem limite de tempo. Uma avença mensal diurna custa 31 €, pouco mais de 1 € por dia. Uma avença mensal 24 horas por dia fica a 47 €. 

 
Seria de esperar uma grande utilização deste parque, mesmo no centro da cidade. A pé, fica a 2/3 minutos de tudo, numa das raras zonas planas da cidade. Mas a realidade é que, talvez por ser pago, tem muito pouca utilização.

Os locais de estacionamento pago à superficie são escassos e a fiscalização ainda mais. É relativamente fácil encontrar um lugar gratuito, mesmo que para isso se tenha de sair mais 200 ou 300 metros do centro.

Fica aqui um mapa com vários locais de estacionamento que juntos representam quase mil lugares, o que é muito numa cidade que agora não deve ter muito mais de 20.000 habitantes. (carregue para ampliar).


Centro Comercial Vivaci: Tem 3 pisos de estacionamento, com 393 lugares, onde as 2 primeiras horas são grátis. Só em dias de muito movimento os 3 pisos estão abertos.

Mercado Municipal e Centro Coordenador de Transportes: Fica a cerca de 400 metros do centro da cidade, embora seja preciso vencer uma rampa algo inclinada. Mas os beirões são rijos e já estão habituados, pelo que é um parque bastante utilizado. Assim por alto, terá mais de 200 lugares.

Cemitério Velho: Um parque mais pequeno, mas que serve mais directamente a Sé, a Praça Velha e todo o centro histórico. Fica a cerca de 300 metros da Praça Velha, menos de 5 minutos a pé. Terá perto de 100 lugares.

Mas o que têm o Largo Frei Pedro a ver com estacionamento e com o título deste post? 


Está tudo explicado aqui. De forma resumida, a Câmara Municipal da Guarda quer destruir o jardim do Largo Frei Pedro, para fazer um parque de estacionamento subterrâneo, que irá ser explorado por quem o quiser construir. Além das receitas desse parque, o promotor ainda iria receber a quase totalidade do estacionamento cobrado à superficie.

Parece ser um equipamento muito útil, dadas as distâncias enormes dos parques de estacionamento mais próximos. O Vivaci fica a 400 metros, sem grande subidas pois é possível ir de elevador para o piso 2, junto ao centro histórico. O Cemitério Velho fica a 300 metros por ruas inclinadas ou a 500 metros por ruas mais planas. O Mercado Municipal fica a 500 metros, embora seja preciso vencer um desnível de 50 metros.

Mas bem mais perto e propriedade da Câmara, fica o estacionamento do TMG. São 250 metros, completamente planos. 

 Vista da entrada do TMG para o Largo Frei Pedro.
O circulo verde é o local onde foram tiradas a 2º e 3º fotos em cima.

Vamos recapitular. Existe na cidade, propriedade da Câmara Municipal, um estacionamento coberto, onde são cobrados preços simbólicos. Talvez por causa desse preço simbólico, o parque tem uma taxa de ocupação muito reduzida, já que é fácil estacionar gratuitamente noutros locais muito próximos.

Só vejo uma razão para esta ideia genial! Os comerciantes do centro da cidade passam a vida a queixar-se que não têm clientes por falta de estacionamento. O desemprego, a crise, os horários pouco ajustados aos clientes, as lojas que não se souberam modernizar, a falta de qualidade do atendimento ao publico, nada disso são problemas. O que levas as pessoas a não comprar no comercio tradicional é a falta de estacionamento...

Quem é contra este estacionamento, não tem de se preocupar. Não é preciso fazer cordões humanos para defender o jardim, nem protestar pela existência de transportes públicos urbanos, nem fazer abaixos-assinados, nem as muito na moda providências cautelares.

Se existe um parque de estacionamento às moscas, quem é o louco que vai gastar milhões para fazer outro ao lado?

Mas será o executivo camarário incompetente? Devia ser despedido por justa-causa? Claro que não, eles sabem muito bem que este projecto não vai para a frente. Mas assim em 2013 vão ganhar votos de quem queria o estacionamento (nós tentamos, mas com a crise os promotores não conseguiram financiamento bancário) e também de quem não queria, ficando calados para já ninguém se lembrar de tal ideia....

Entrada do parque do TMG:

Ou então estou completamente enganado, dentro de pouco vamos ter a seguinte manchete nos jornais: "Estacionamento público do Teatro Municipal da Guarda encerrado por falta de utentes. Oposição acusa o presidente da Câmara de querer beneficiar a empresa proprietária do parque do Largo Frei Pedro. A empresa ameaçou na semana passada processar a CMG, pois a receita atinge apenas 15% do previsto no caderno de encargos".